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Risca Faca apresenta: “Narcofútbol”

A Colômbia de Pablo Escobar era fanática por futebol. O notório traficante, retratado na série “Narcos”, da Netflix, era um aficionado pelo esporte e fez de tudo para que o país entrasse no mapa. A relação entre o narcotráfico e o futebol no final dos anos 80 e começo dos anos 90 foi próxima e, de várias formas, extremamente perigosa. Uma história que começa nos campos de terra de Medellín e termina em tragédia em 1994, após a Copa do Mundo.

O Risca Faca apresenta “Narcofútbol”, uma história em quadrinhos contando diversos detalhes e histórias dessa época de glórias e sofrimento no futebol e na sociedade colombiana. A arte é de Amilcar Pinna, autor de “Another Planet” e que já assinou HQs da Marvel, DC, Editora Moderna e também dá aulas na Quanta Academia de Artes.

Leia abaixo a HQ:

 

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Cinema

O Evangelho segundo ‘A Bruxa’

 

E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.
Jó 1:6

A primeira cena de “A Bruxa” mostra um pai de família discutindo, de forma ríspida, com os sacerdotes de uma vila do século 17. William (Ralph Ineson) acredita que todos aqueles presentes na vila não temem e oram a Deus o suficiente. É preciso mais. Para William, há algo muito latente: o Bem e o Mal existem em sua forma mais pura. E, mesmo com séculos de distância, o filme de estreia do diretor Robert Eggers é capaz de causar a mesma crença no espectador.

Após o debate, a família deixa a vila e decide criar sua própria fazenda – e seu próprio mundo – próxima a uma floresta. William e sua esposa, Katherine (Kate Dickie), levam os cinco filhos para uma nova vida, uma vida calvinista. A filha mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy), com feições angelicais, fica encarregada de cuidar do irmão mais novo, um bebê que, durante uma brincadeira boba, some de forma repentina. Daí em diante, a vida da família em sua pequenina fazenda se transforma. William e todos passam a ser uma espécie de Jó, da Bíblia, mas em uma versão em que todos pecam e, por consequência, perdem a batalha para Satanás.

Se hoje vivemos em tempos em que tudo é racionalizado e cientificamente esmiuçado, como entender e ter empatia com os sentimentos e reações que um povo sentia perante ameaças externas e, possivelmente, espirituais? Se hoje há teorias de que comidas estragadas causaram delírios em Salem na época das famosas queimas das bruxas, e se não damos mais espaço ao que pode não ser terreno, como mostrar o medo e o terror de quem acreditava, sem sombra de dúvida, que o Bem e o Mal disputavam o espaço na Terra?

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"O Grande Bode", de Francisco de Goya
“O Grande Bode”, de Francisco de Goya

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O esforço de Eggers e da produção do filme em nos transportar para a região da Nova Inglaterra, nos EUA, no século 17 é impressionante. O diretor diz ter estudado diversas publicações da época e criado uma gigantesca paranoia para conseguir criar uma pequena fazenda de época em seus mínimos detalhes – do figurino ao jeito em que as plantações eram feitas, passando pela linguagem da época e a iluminação à base de luz de velas. Tal esforço poderia ser apenas um TOC desenfreado de toda a produção, mas é extremamente necessário para acreditarmos e nos conectarmos com o que acontece durante todo o filme. Com uma paleta de cores escura e fria e bom uso da iluminação natural, Eggers criou a sensação de estarmos dentro de um quadro de Goya – fascinante, mas ao mesmo tempo assustador.

Além do trabalho de figurino e cenário, “A Bruxa” atinge isso com sua trilha sonora. Composta por Mark Kovern e executada com instrumentos incomuns, como a Nyckelharpa e o Waterphone, a música do filme cria a tensão necessária, com seus crescendos acompanhados de bons cortes, e é tão poderosa que faz com que o close em animais, como um coelho e uma cabra, crie um medo e uma tensão palpável, real, temerosa.

A construção desse cenário faz com que “A Bruxa” não seja um filme de terror da escola mais popular nos tempos atuais. Ele não irá lhe dar sustos repentinos, nem abusar de cortes frenéticos para causa confusão. O filme mora mais próximo de filmes como “O Iluminado”, mexendo com o imaginário do espectador de uma forma cruel e bem alimentada. Isso faz com que, ao aproximar-se da conclusão, em que o Mal toma forma e mostra seu verdadeiro plano, mesmo nós, racionais e céticos seres do século 21, consigamos acreditar que, sim, o mundo nada mais do que uma eterna batalha entre a luz e a escuridão.

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Música

As faces de David Bowie

David Bowie se foi. Aos 69 anos, o Starman decidiu partir para novas explorações espaciais e nos deixou aqui, tristes, desconsolados, mas felizes ao revisitarmos toda a sua obra, todas as suas fases, todos os seus discos, todos os seus rostos. E por causa das diversas facetas de Bowie, que lembraremos com emoção em todos os anos que virão pela frente, convidamos o desenhista Odyr Bernardi para retratar alguns dos semblantes mais marcantes do camaleão. Cinco momentos, cinco histórias, cinco faces de alguém que não será esquecido.

Além das belas ilustrações, fiquem também com o lindo relato de Brian Eno sobre o amigo que se foi:

“A morte de David veio como uma completa surpresa, como praticamente tudo sobre ele. Agora, eu sinto um enorme vazio.

Nós nos conhecemos por mais de 40 anos, em uma amizade que sempre foi marcada por ecos de Pete and Dud. Nos últimos poucos anos – com ele morando em Nova York e eu em Londres – nossa conexão foi feita por email. Nós nos despedíamos com nomes inventados: alguns deles eram ‘mr showbiz’, ‘milton keynes’, ‘rhoda borrocks’ e ‘the duke of ear’.

Cerca de um ano atrás nós começamos a conversar sobre o Outside – o último álbum que trabalhamos juntos. Nós dois gostávamos bastante do disco e sentíamos que ele não teve a devida atenção. Nós falamos sobre revisitá-lo, levando-o para um lugar novo. Eu esperava por esse momento.

Eu recebi um email dele sete dias atrás. Como sempre, era algo divertido e surreal, indo e vindo em um jogo de palavras e alusões e outras coisas típicas que fazíamos. E terminava com esta sentença: ‘Obrigado por nossos bons tempos, brian. eles nunca irão apodrecer’. E estava assinado como ‘Dawn’.

Agora percebo que ele estava dizendo adeus.”

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Descanse em paz, Bowie.

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Cultura

Os melhores discos de 2015

Quem chegou primeiro: o presépio do menino Jesus ou as listas de fim de ano? Difícil dizer, mas chegou aquele momento em que todo mundo dá aquela olhada pra trás e vê o que de melhor (e pior) aconteceu. Nos próximos dias, publicaremos uma série de listas sobre os filmes, séries, discos, músicas e livros que nos marcaram em 2015.

Já falamos das séries, músicas e filmes que mais gostamos no ano. Aqui listamos os dez melhores discos do ano em nossa modesta opinião, divididos em duas partes: cinco nacionais, cinco internacionais. Segura:

NACIONAIS

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Rodrigo Ogi – “RÁ!”
Quando Rodrigo Ogi lançou o disco “Crônicas da Cidade Cinza”, em 2011, era fácil de sacar que ali havia um artista com um potencial monstruoso. “Crônicas” foi um disco que demorou pra bater na molecada e hoje é considerado um clássico tardio. “RÁ!”, o novo disco do rapper paulistano, começa diferente por já nascer como um clássico. Isso permitirá que daqui uns, sei lá, dez anos, ele seja visto como um momento chave no rap nacional, uma cena tão complexa e trincada, cheia de picuinhas e tretas. “RÁ!” é um cardápio de todos os poderes de um MC, com incontáveis histórias incríveis, bem articuladas, cheias de becos, vielas, tudo isso com Ogi despejando habilidades vocais, com mudanças de voz e personagens que nenhum outro rapper está fazendo por aqui. A preocupação com métricas, com caneta, com tudo, algo tão comum lá fora e meio secundário por aqui, é acompanhada por uma execução primorosa do beatmaker curitibano Nave, que criou o ambiente perfeito para Ogi se transformar naquilo que ele deve ser: um marco.

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Aláfia – “Corpura”
“Corpura” é o segundo disco da superbanda Aláfia, e a sensação maior é que, após uma grande viagem introspectiva e extrospectiva, eles conseguiram chegar onde queriam: o disco é mais do que um manifesto em prol da negritude e da cultura negra. Ele é uma aula, tanto de percussão quanto de letras, sobre o estado do Brasil em vários aspectos. É aquilo que diversas bandas tentaram, bebendo ali na fonte do afrobeat, mas a impressão é que para chegar lá o Aláfia teve que se doar até a última gota de sangue, com uma crença muito poderosa sobre o que estava sendo produzido. A força de “Corpura” está por todos os lados: na voz de Xênia França, nas composições de Lucas Cirillo, na percussão de Alysson Bruno. Tudo o que aconteceu e surgiu recentemente na cena afrobeat e black brasileira estava pavimentando o caminho para esse momento, para essa corpura.

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Leo Justi – “Vira a Cara”
Justi é como uma ponte entre os bailes de favela, o novo funk cada vez maior no Rio de Janeiro, e o mundo dos produtores e selos descolados de todo o globo que avistam com olhares maravilhados o que acontece pelo Brasil. O EP “Vira a Cara” é essa amalgama: é um aperitivo do que há de melhor rolando no funk envelopado em uma produção digna de nota e ideal pra bater a bunda no chão e suar até dizer chega.

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Diogo Strausz –  “Spectrum Vol. 1”
Ouvir o primeiro disco do Diogo Strausz assim que ele foi lançado foi como receber uma voadora de esperança: há muita técnica, há muito groove, tem AOR, tem muita referência boa, participações ótimas e uma habilidade fora do comum para alguém tão jovem. É aquele disco para ouvir a qualquer momento, curtir cada nota e já criar expectativas para mais e mais produções desse jovem carioca.

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Elza Soares –  “A Mulher do Fim do Mundo”
É impressionante receber em 2015 um disco tão podereoso de uma figura tão marcante da música brasileira. Em “A Mulher do Fim do Mundo”, Elza Soares fala de sofrimento, de amor, de putaria, de sexo, da força da mulher negra. As letras arrepiam, mas o maior acerto de Elza foi se abeirar do que há de melhor na nova safra da (podemos chamar assim?) nova MPB: Romulo Fróes e Celso Sim assinam a composição das músicas (ao lado de José Miguel Wisnik) e a banda que acompanha Elzinha tem por ali Fróes, Kiko Dinucci, Felipe Roseno e outros grandes nomes. Essa mistura funciona demais e as lamúrias se transformam em força, em poder, em uma violência musical merecidíssima para esses tempos.

INTERNACIONAIS

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Kendrick Lamar –“To Pimp a Butterfly”
Desde o dia 16 de março deste ano a gente já sabia qual era o melhor disco do ano. Muita coisa boa surgiu no meio do caminho, mas o que Kendrick Lamar fez em “To Pimp a Butterfly” é algo raríssimo na música atual: ele conseguiu demonstrar todas as suas habilidades como um dos melhores rappers vivos, conseguiu fazer isso fazendo crítica social de altíssimo nível, conseguiu discutir religião, conseguiu não perder o humor e o desespero perante tudo isso e, assim, criou uma obra-prima, um disco que será lembrado por décadas e décadas, com louros para as letras, como em “Alright”, pelas participações, como a de George Clinton na abertura do disco, e pela capacidade de mais um rapper de Compton mudar o jogo.

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Kamasi Washington – “The Epic”
É fácil sacar que os principais nomes do selo Brainfeeder piram muito em jazz: tanto o Flying Lotus quanto o Thundercat destilam várias referências em seus discos. Mas ser um monstro do jazz é mais complicado do que isso. Por sorte, eles encontraram alguém mais do que capaz: Kamasi Washington. E daí surgiu “The Epic”. É curioso pensar que um disco de jazz de quase três horas, com influência absurda dos imortais da Strata East, foi lançado por um selo de música eletrônica e que, surpresa!, ele foi um sucesso. Mas “The Epic” faz jus: são horas e horas de muito jazz bom, de altíssimo nível, de um reencontro com o passado com aquela pitada necessária e sem exageros dos tempos atuais. É também um convite para uma geração que parece não ter mais tempo para jazz, para contemplação, para paz de espírito. Ouvir “The Epic” em uma tacada só é um evento raro, mas vale cada segundo.

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Arca –  “Mutant”
Um produtor venezuelano nascido em 1990 fazendo música para Bjork, Kanye West e Kelela? Foi assim que o Arca fez seu primeiro barulho. Depois veio “Xen”, no ano passado, um ótimo disco de estreia. E, pouquíssimo tempo depois, Alejandro Ghersi surge com “Mutant”, uma viagem menos mecânica, mais fluída, mais atraente, do tipo que machuca seu cérebro em alguns momentos mas ainda assim libera doses de endorfina. É quase como transar com robô? Talvez, um dia a gente descobre se é tipo isso mesmo.

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Sufjan Stevens – “Carrie & Lowell”
Não é de hoje que Sufjan Stevens gosta de falar sobre a morte em suas músicas. Mas “Carrie & Lowell” é o maior estudo que ele já fez sobre o assunto. Esqueça as brincadeiras e fanfarras que davam uma quebra nos discos anteriores dele. Aqui não há espaço para respirar, apenas absorver todas as dores, questionamentos e sofreguidões de um homem tentando entender o que é, o que foi e o que será a morte – o disco é uma ode a Carrie, a mãe que Stevens mal conheceu e que recentemente morreu, e Lowell, seu padrasto, ainda vivo, e extremamente próximo. Esqueça de respirar e sinta apenas o aperto no coração.

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Grimes – “Art Angels”
Olha, é preciso respeitar muito a Claire Boucher. Depois do sucesso de “Visions”, em 2012, a cantora se trancou para produzir mais um disco e, em dado momento, jogou tudo fora. Os fãs piraram, e é preciso dizer aqui que há algo de diferente nessa pressão: a Grimes é um fruto do Tumblr, uma filha da internet, e ela já se meteu em muitas discussões por causa dessa verve conectada, de comunidade, de reblogs e coisas do tipo. Agora já podemos dizer que jogar tudo fora e criar “Art Angels” foi a escolha certa: o disco é um pop extremamente torto – e isso é um elogio. É um pop que, de repente, quando você imagina o caminho mais óbvio, te surpreende com uma letra ou um refrão fora da medida, como um tapa, mas um tapa sutil, sem maldade, quase infantil, querendo chamar sua atenção. E durante todo o disco esses tapas conseguem atingir seu objetivo.

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Cultura

Os melhores filmes de 2015

Quem chegou primeiro: o presépio do menino Jesus ou as listas de fim de ano? Difícil dizer, mas chegou aquele momento em que todo mundo dá aquela olhada pra trás e vê o que de melhor (e pior) aconteceu. Nos próximos dias, publicaremos uma série de listas sobre os filmes, séries, discos, músicas e livros que nos marcaram em 2015.

Já falamos das séries e músicas que mais gostamos no ano, e agora vamos pra telona. 2015 não foi um dos anos mais incríveis do cinema e até tivemos uma certa dificuldade para fechar essa lista, mas eis os títulos que mais nos marcaram no ano:

Force Majeure

Se você for pego só pela sinopse, pode achar que é um filme de ação desses envolvendo desastres naturais. Não é nada disso, mas não deixa de ser impactante: “Force Majeure” é a história de um princípio de avalanche que abala as estruturas de uma família que esquiava nos Alpes. O filme intercala incríveis cenas apáticas do cenário nevado com situações cotidianas de uma família ruindo. A história e as atuações são um símbolo da derrocada de Tomas, o pai, e a crescente indignação de Ebba, a mãe. Uma história sobre moral, realidade, verdade e o homem e a mulher em tempos modernos. [Leo Martins]

Straight Outta Compton: A História do N.W.A.

É um pouco assustador pensar que demoraram tanto tempo para contar em filme uma das histórias mais incríveis da música americana. A criação do N.W.A., um dos grupos mais importantes da história do rap, envolve muita treta, tiro, vadiagem, afirmação racial, polícia nervosa e a explosão de Compton, na Califórnia, como um dos berços do hip hop. A escolha dos atores foi acertada demais – O’Shea Jackson Jr, que interpreta o Ice Cube, é filho do próprio – e o filme não esconde os demônios que cercaram e cercam até hoje Dre, Eazy E e todos os outros filhos de Compton que revolucionaram a música e a relação das tensões sociais que uma só música (“Fuck the Police”, no caso) pode causar. [LM]

Leviatã

Mesmo antes de entrar em cartaz nos cinemas russos, Leviatã causou. Sofreu duras críticas e fortes ataques do governo e da igreja ortodoxa, que acusaram o diretor Andrey Zvyagintsey de difamar o país comandado por Vladimir Putin. Já seria um bom motivo para assistir ao filme. Mas Leviatã é muito maior que isso. Fala de abuso de poder, injustiça, corrupção e impotência por meio da dramática história de Kolya. Morador de uma península no extremo norte do país, tem a propriedade herdada da família tomada pelo prefeito da cidade, que quer construir no terreno um empreendimento lucrativo. Vencedor dos prêmios de melhor roteiro em Cannes e melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro, Leviatã é pesado demais. Triste demais. E ainda, assim, bom demais. [Mariana Castro]

Ex-Machina: Instinto Artificial

Uma pena que não tenha entrado no circuito do cinema nacional – chegou aqui direto nas locadoras e serviços de aluguel por streaming. O primeiro filme de Alex Garland conta a história de Caleb, funcionário de uma empresa descolada (provavelmente do Vale do Silício, claro) que ganha o direito de passar uma temporada com o chefão da empresa, Nathan, em um local isolado para ajudá-lo a testar uma nova tecnologia revolucionária. A tecnologia em questão é um robô, Ava, que é tão real em seus sentimentos e expressões que assusta. A relação criada pelos três nessa esquisita casa é o suficiente para criar um ótimo filme. Para completar, Nathan é vivido por Oscar Isaac em mais uma atuação espetacular, uma espécie de Mark Zuckerberg mesclado com Steve Jobs. [LM]

Perdido em Marte

Ficção científica não é um gênero pra todo o mundo. Quando minha mãe acha que um filme de ficção é um dos melhores do ano, é porque algo deu certo. “Perdido em Marte” é um filme engraçado, muito mais que várias comédias tradicionais por aí. É uma história sem vilão, em que você sabe qual vai ser o final, e mesmo assim não deixa a peteca cair. O que interessa não é tanto o que vai acontecer e nem que dificuldades aparecem, mas como um astronauta sozinho em Marte dribla essas dificuldades para sobreviver. Ridley Scott consegue fazer a ciência divertida até para quem só gosta de humanas. É bem divertido, e às vezes é isso que basta. [Fernanda Reis]

Mad Max: Estrada da Fúria

Continuar uma série querida por muitos e que já ganhou ares nostálgicos é sempre complicado. Por isso a escolha de George Miller para dirigir novamente um filme da série “Mad Max” foi acertadíssima. Contando uma história simples e sem muita complexidade, Miller conseguiu causar um enorme impacto visual (o guitarrista-lança-chamas é um marco do ano) e também explicitou as diferenças entre os anos 80 e o agora (Max, vivido por Tom Hardy, é apenas um coadjuvante perto de Furiosa, interpretada por Charlize Theron). É daqueles filmes para ver no Imax, sair embasbacado e depois chegar em casa e pensar em todos os pequenos detalhes e nuances que couberam no meio daquela loucura toda. [LM]

Olmo e a Gaivota

Abordar o tema da gravidez de um jeito poético, contemporâneo e ao mesmo tempo livre de clichês não é pouca coisa. É o que fazem as diretoras Petra Costa (de Elena) e a dinamarquesa Lea Glob em Olmo e a Gaivota. Mas ao acompanhar os atores do Theatre du Soleil, Olivia e Serge, enquanto aguardam a chegada de seu primeiro filho, o documentário também acerta na linguagem. Há discretas, mas relevantes, interferências das diretoras nas cenas entre os protagonistas. Depois de um sangramento, Olivia passa os meses de gestação dentro de casa, em repouso. É nesse período que as filmagens acontecem. Quando a atriz, às vésperas de viver um grande momento na carreira com a peça Gaivota, de Tchekov, abre mão dela e da liberdade, à espera de Olmo (nome do bebê). As imagens do corpo, da barriga, da transformação de Olivia são de uma beleza delicada. Mas não por isso, menos poderosa. [MC]

A Corrente do Mal

É claro que não é fácil traduzir o título original “It Follows” para português, mas a escolha de “A Corrente do Mal” passou a impressão de que o filme de estreia de David Robert Mitchell era só mais um filme de terror pastiche e cheio de clichês. Nada disso. “A Corrente do Mal” é um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos exatamente por não seguir nenhuma dessas fórmulas e utilizar a câmera e o espaço de forma completamente diferente do convencional. A história de uma adolescente perseguida por algo que a persegue de forma implacável (daí o título original) é contada com maestria e ótimo gosto. Não é a salvação do universo do terror, mas assim como “The Babadook” foi no ano passado, “A Corrente do Mal” é um suspiro de novidade em um mercado saturado de repetições. [LM]

Phoenix

“Phoenix” é zero divertido. Longe disso: é uma história triste, sobre os traumas da guerra, identidade e culpa, que se passa logo depois da Segunda Guerra. É um período menos explorado no cinema e “Phoenix” parece mesmo algo completamente novo, sem clichês. Com o rosto desfigurado num campo de concentração, uma cantora judia ganha uma cara nova numa cirurgia e a chance de recomeçar a vida. Ela decide, porém, ir atrás do marido que a tinha traído e a entregado aos nazistas, escondendo dele a verdadeira identidade. A história é tensa, com uma bela cena final. [FR]

Que Horas Ela Volta?

Depois do sotaque de Wagner Moura em “Narcos”, foi uma das produções que mais rendeu discussões no ano. Falta um pouco de sutileza ao filme: a trama toda com o patrão que dá em cima da filha da empregada é constrangedora e desnecessária e a patroa vira uma caricatura, praticamente uma vilã de novela. Mas Regina Casé está maravilhosa (e lembra que é mais do que a apresentadora do “Esquenta”) e é um filme que toca de alguma forma todo o mundo sem ser panfletário e sem deixar de lado o humor. [FR]

Star Wars: O Despertar da Força

J.J. Abrams deve ter comemorado horrores a estreia do seu “Star Wars”. O filme voltou às origens e fez jus às (altíssimas) expectativas do público e da crítica (mesmo com algumas questões). O sétimo episódio da série aplaca a nostalgia das pessoas com o retorno dos personagens principais da trilogia original e com um enredo que lembra bastante “Uma Nova Esperança”. Mas as novidades que traz são legais: tem boas cenas de batalhas, personagens novos interessantes e boas atuações. É um filme bem divertido. [FR]

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

“Foxcatcher” é um filme perturbador. Em vários aspectos. A história chocante e real na qual é baseado, embora envolva um milionário de uma tradicional família americana e dois irmãos lutadores de luta livre, ambos medalhistas de ouro na Olimpíada de 84, é pouco conhecida. Por isso, apesar dos fatos, o final trágico surpreende. A atuação dos atores é de tirar o chapéu. Steve Carell está brilhante e irreconhecível no papel do ricaço excêntrico Jonh Du Pont – que lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar. Pelo olhar do diretor Bennett Miller, vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes em 2014, “Foxcatcher” trata de homossexualidade velada, da relação mal resolvida entre uma mãe controladora que blinda o filho mimado e protegido, de carência, poder e obsessão. Sem que nada disso dê conta de explicar o que leva alguém a uma atitude extrema. Perturbador. [MC]

 

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Cultura Música

As melhores músicas de 2015

Quem chegou primeiro: o presépio do menino Jesus ou as listas de fim de ano? Difícil dizer, mas chegou aquele momento em que todo mundo dá aquela olhada pra trás e vê o que de melhor (e pior) aconteceu. Nos próximos dias, publicaremos uma série de listas sobre os filmes, séries, discos, músicas e livros que nos marcaram em 2015.

Ontem já contamos quais foram nossas séries favoritas do ano. Hoje, falaremos das melhores músicas de 2015. Novamente, não é um ranking, apenas as que mais nos agradaram. A diferença aqui é que há duas listas na lista: primeiro, as melhores nacionais do ano, depois as melhores internacionais. Vai vendo:

NACIONAIS

Rodrigo Ogi – “Virou Canção”

O disco do Ogi é um dos melhores do ano e conseguiu a façanha de agradar desde a rapa do rap nacional até a galera que por muito tempo ignorou o rap e agora percebeu que tem muita coisa boa (demorou, mas aconteceu). “Virou Canção” é o símbolo disso: um assunto comum ao rap nacional (a perda dos parceiros durante a vida) contada em uma letra fenomenal, interpretada de forma emocionada por Ogi (“parte de mim falece / e esse dia na deprê eu não fui na quermesse / mas recebi uma proposta que a cobiça cresce / peraí, tava ali, um jeito de impressionar Magali”) e que, de quebra, ainda conta com a participação de Thiago França no sax quebrando tudo e fazendo muitos olhos encherem com a nostalgia daqueles que se foram. [Leo Martins]

Aláfia – “Salve Geral”

“Com a nossa rapa você não é capaz”. “Corpura”, novo disco da super-banda Aláfia, é um manifesto, uma causa, um evento. A música de abertura “Salve Geral” é uma paulada logo de cara para você arregalar os olhos e prestar atenção em cada palavra, cada acorde, cada momento do que vem na sequência. [LM]

Naldo & Mano Brown – “Benny e Brown”

https://www.youtube.com/watch?v=7Sd7o7YxRNQ&feature=youtu.be

“Quando o funk chegou a São Paulo, falei para os rappers: ‘Vocês vão ficar para trás, estão escrevendo música para a minha avó ouvir’.” Que falou isso para O Globo foi Mano Brown que, mesmo tendo lançado um disco novo do Racionais no ano passado, parece não estar mais tão em paz com o rap. Por isso foi até o Rio de Janeiro e fez uma parceria improvável com o Naldo Benny, que faz parte de seu disco “Sarniô”. A letra é cheia de momentos e homenagens curiosas – de Emerson Sheik até Romero Britto –, mas esse funk meio trap segura bem no refrão e a parte do Brown é, como de costume, uma aula de métrica e flow. Como ele mesmo disse na mesma entrevista ao Globo, “o funk é revolucionário, doa a quem doer”. [LM]

Jads & Jadson – “Toca um João Mineiro e Marciano”

Artistas como Lupicínio Rodrigues, Dolores Duran e Maysa já expressavam em suas canções o sentimento chamado de “fossa”. “Toca um João Mineiro & Marciano” aborda intensamente esse desespero da desilusão no relacionamento, “afogado” na mesa do bar. Não há enredo, personagens, mas apenas a ambientação do porre, do barman desconfiado com uma suposta inadimplência, da jukebox com o hit antigo, dos primórdios do sertanejo romântico. Ele a traiu? O pai dela é coronel? Ele foi pego perambulando pelo Tinder? Nunca saberemos. A música traz uma experiência bastante inovadora, Jads & Jadson são um upgrade às duplas caipiras das décadas de 60 e 70. Há um distanciamento do frescor pop dos demais nomes do sertanejo dito universitário. O clipe da canção é magnífico e, além da homenagem na letra, traz o próprio Marciano em sua exótica indumentária, que remete à figura do Dr. Fu Manchu. [Marcelo Daniel]

INTERNACIONAIS

Drake – “Hotline Bling”

Se não é a música do ano, tá ali nas primeiras posições. É aquele hip hop pop que todo mundo acaba consumindo, com uma letra fácil de grudar, um refrão, um papo de “ei, mina, que isso” típico de quem tomou um pé na bunda e acha que pode ficar palpitando na vida dos outros, e um clipe que instantaneamente virou máquina de piadas por causa das dancinhas do Drake. É o tipo de música que você ouve desde o carro rebaixado na quebrada até a festa descolada lotada de gente branca. Ou seja, tem tudo que um hit precisa. [LM]

Kendrick Lamar – “Alright”

Kendrick não fez só o melhor disco do ano. Ele criou hinos. “Alright” é uma delas, uma música sobre ser negro na América, sobre ser cristão na América, sobre pecar na América, sobre o demônio na América. “All my life I has to fight, nigga”. Além do peso que a canção teve nos EUA em um ano de tantos protestos contra a violência policial contra os negros no país, Kendrick ecoa todas as suas habilidades como rimador, escritor e poeta. Para completar, a música recebeu um dos melhores clipes do ano, com peso, humor e força merecidos. [LM]

Jamie XX – “I Know There’s Gonna Be (Good Times)”

A música mais VIBES de 2015 é de alguém que costumava tocar músicas meio tristes no The xx. O disco do Jamie XX não é uma obra-prima, mas “I Know There’s Gonna Be (Good Times)” é das melhores coisas que aconteceram em 2005, com dois dos rappers de inglês mais difícil de entender (Young Thug, com seu flow solto, e Popcaan) e um refrão que, espero, seja o mote de 2016. [LM]

Justin Bieber – “Sorry”

2015 foi o ano em que boa parte das pessoas tentou se justificar perante algumas músicas do disco novo do Justin Bieber. Não precisa se justificar não, galera. O disco tem boas músicas mesmo. “Sorry” é a melhor delas, com uma produção impecável, uma letra bestinha mas grudenta, e um refrão ótimo. O menino cresceu, aceitem. [LM]

The Internet – “Girl”

Syd the Kid, a mina de 20 e poucos anos que dominou o disco “Ego Death”, do The Internet, é foda. Ela espalha sua habilidade durante o disco todo e se sobressai de seus parceiros. Mas é “Girl”, que ela criou junto com outro jovem prodígio, o produtor KAYTRANADA, uma das melhores músicas-xaveco de 2015, que Syd exibe sua voz, seu flow suave, e dá a letra na garota dos seus sonhos, que ela quer que seja sua namorada, e quer muito. [LM]

Sufjan Stevens – “No Shade in the Shadow of the Cross”

Toda vez que você duvidar que o Sufjan Stevens vai dar uma nova facada no seu coração, ele chega lá e PLEI. Aconteceu de novo com “Carrie & Lowell”, o disco-homenagem para sua falecida mãe. O fenômeno ocorre por diversas faixas, mas “No Shade in the Shadow of the Cross” é uma música tão simples e poderosa, dessas que faz você ficar em silêncio, repensando diversos momentos, acontecimentos, histórias. E lá pros últimos versos ele ainda canta os versos “There’s blood on that blade / fuck me, I’m falling apart” e, putz, dói. [LM]

Beach House – “Space Song”

Dream pop é um nome esquisito para estilo musical, né? A única banda que consegue fazer realmente jus ao termo é o Beach House. A banda lançou dois discos esse ano, os dois com a mesma pegada de fim de tarde na praia, aquela moleza depois do Sol e de algumas latinhas de danone. “Space Song”, do álbum “Depression Cherry”, mantém a história do Beach House em seus primeiros discos, com aquela dose de melancolia misturada com uma certa felicidade, aquela sensação de que, bem, uma hora as coisas vão dar certo, né? [LM]

Joanna Newsom – “Leaving the City”

“Leaving the City” é a música mais completa, complexa e surpreendente do novo disco da Joanna Newsom, “Divers”. A elfa toca a harpa, mostra todos os traços de sua voz e, de repente, quando você acha que a toada será a mesma, entra uma bateria marcada, uma guitarra nervosa, como é bom uma guitarrinha nervosa assim, diz aí. [LM]

Sángo – “Não Falo” (Feat. MC Nem)

O Sángo já lançou três beat tapes em homenagem à favela mais conhecida do Rio de Janeiro. O cara realmente pirou no funk carioca e curtiu fazer várias misturas com elementos de trap. “Não Falo” é uma mistura desses dois mundos: o beat do funk, o vocal acelerado, e os recortes precisos do produtor. É pura curtição. [LM]

The Weeknd – “Can’t Feel My Face”

Lembra Michael Jackson, não lembra? Com um cabelinho doido, mas lembra. A música que uniu todas as tribos em 2015. [LM]

Kanye West – “All Day”

O disco ainda não veio, mas o ano não passou batido para o Kanye West. E “All Day”, a primeira parceria com Paul McCartney, é uma paulada. É forte, tem letra, o refrão curto e rápido do Allan Kingdom tem impacto, o Beatle no final é incrível e, para completar, essa apresentação no Brit Awards foi com vantagem a melhor do ano. [LM]

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As melhores séries de 2015

Quem chegou primeiro: o presépio do menino Jesus ou as listas de fim de ano? Difícil dizer, mas chegou aquele momento em que todo mundo dá aquela olhada pra trás e vê o que de melhor (e pior) aconteceu. Nos próximos dias, publicaremos uma série de listas sobre os filmes, séries, discos, músicas e livros que nos marcaram em 2015.

Como é uma lista, claro que há polêmicas. E há questões mais práticas também, como por exemplo, séries que não conseguimos ou não terminamos de ver a temporada desse ano. É o caso de Fargo e Leftovers, duas séries que eu vi alguns capítulos de suas novas temporadas e tô bem empolgado, mas como não terminei, é injusto colocar aqui, certo? Por essas e outras, não há um ranking enumerado – há apenas um monte de séries que gostamos muito neste ano que teima em não acabar. Chega mais:

Jessica Jones

https://www.youtube.com/watch?v=w9ATGrij5qI

Séries de super-heróis há várias: “The Flash”, “Arrow”, “Supergirl”, “Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D.” e por aí vai. Mas “Jessica Jones” é diferente de todas elas. Com uma heroína sem codinome, uniforme, vontade de salvar o mundo ou mesmo poderes tão incríveis, “Jessica Jones” é mais um thriller psicológico. Jessica é uma personagem mais interessante que o Super-Homem, justamente porque é humana. Seu arqui-inimigo é um homem que controlou seus pensamentos e a estuprou e seu maior poder é justamente ter sobrevivido a isso e encarar seus traumas de frente. Tensa, é uma série perfeita para o modelo Netflix: é quase impossível sentar na frente da televisão e assistir a um episódio só. [Fernanda Reis]

UnREAL

Com tantos reality shows por aí, é surpreendente que só agora tenham feito uma série sobre seus bastidores. “UnREAL” fez valer a espera. Ambientada num reality estilo “The Bachelor”, com um grupo de mulheres disputando um solteiro rico, a série mostra como esses programas têm bem pouco de real — colocando uma lente de aumento neles, nem todo reality tem crimes no meio. A protagonista, Rachel, é uma produtora com poucos escrúpulos e uma enorme capacidade de manipular os outros. É um drama super pop, com um pouco de novela e um tanto de suspense. Uma das séries mais originais do ano, com personagens femininas tão ou mais complexas que Don Draper ou Walter White. [FR]

The Jinx: The Life and Deaths of Robert Durst

O retorno do entretenimento true crime aconteceu em grande parte por causa do sucesso estrondoso do podcast “Serial”, mas o seriado “The Jinx”, da HBO, ajudou a catapultar de vez o movimento. A premissa já é incrível: o diretor Andrew Jarecki fez um filme de ficção sobre os mistérios de Robert Durst, um excêntrico milionário de Nova York acusado de matar a esposa. Certo dia, o próprio Durst liga para ele dizendo “ei, legal o filme, mas a história é muito mais complexa que isso”. E é mesmo. Sentados frente a frente em seis episódios, Jarecki confronta Durst e recria toda a narrativa de uma das histórias mais malucas possíveis. Tudo feito de uma forma primorosa e extremamente cativante. [Leo Martins]

You’re the Worst

Desde o começo, no ano passado, “You’re the Worst” era uma comédia romântica esquisita. Não houve enrolação para saber se os protagonistas Gretchen e Jimmy iriam ou não ficar juntos: nos primeiros dez minutos eles já estão na cama. O legal é ver como essas duas pessoas tão egocêntricas e avessas a relacionamentos conseguiriam ficar juntas. A primeira temporada já tinha um humor meio negro, mas a segunda foi além e conseguiu fazer graça mesmo tendo como trama central a depressão de Gretchen. A doença não foi apresentada em um episódio e deixada de lado nem foi tratada levianamente. Foi uma decisão arriscada falar sobre depressão numa comédia e logo na segunda temporada, mas valeu a pena. Neste ano “You’re the Worst” não só continuou fazendo rir como também emocionou. [FR]

Mad Men

https://www.youtube.com/watch?v=3JUqwwjgLAY

Começar uma série bem é fácil, difícil é saber quando e como parar. “Mad Men” conseguiu. A parte final de sua última temporada não teve grandes acontecimentos (pra falar a verdade, a série toda é assim), mas dedicou um tempo para dar um final decente a cada personagem e amarrar todas as pontas soltas. O último capítulo foi especialmente bom, concluindo de um jeito simples e bonito o arco de Don Draper e as três mulheres de sua vida: Peggy, Betty e Sally. Não à toa Jon Hamm finalmente quebrou a maldição Leonardo DiCaprio e ganhou o Emmy que tinha perdido seis vezes antes. [FR]

The Americans

“The Americans” sempre foi uma série boa sem o devido reconhecimento que merece pelas principais premiações de televisão. Mas essa temporada foi particularmente boa, colocando mais drama familiar na trama de suspense político. A filha do casal principal, Paige, começa a se incomodar com a vida misteriosa que os pais levam e pela primeira vez eles se perguntam: será que eles devem contar aos filhos nascidos e criados nos Estados Unidos que são da KGB? Keri Russell consegue deixar a imagem de Felicity para trás, a trilha sonora é maravilhosa e a trama toda foi eletrizante. O último episódio da temporada terminou de um jeito tão inesperado que a espera para o quarto ano não está sendo fácil. [FR]

Master of None

https://www.youtube.com/watch?v=ROATnkhOPfk

Uma boa surpresa que estreou sem muito alarde no Netflix já perto do fim do ano. Quase como uma antologia, com episódios desconectados uns dos outros, a série tem a mesma pegada “retrato da vida das pessoas de 20 e tantos/30 e poucos anos hoje” que “Girls”, por exemplo, mas é mais original nos seus temas. Fala do racismo na televisão e no cinema, de feminismo, de diferenças geracionais, de imigração, tudo com humor e delicadeza. [FR]

Demolidor

A essa altura da lista já dá para dizer que foi um bom ano para o Netflix. Mas, além disso, foi um bom ano para a Marvel na televisão: se o segundo filmes dos Vingadores não foi tão impactante, o núcleo dos quadrinhos de Nova York teve vida boa nas séries. Além de “Jessica Jones”, a ambientação de “Demolidor” em Hell’s Kitchen foi ótima: em uma temporada, foi possível mostrar a história de Matt Murdock, sua relação complicada com seu bairro e a ideia de combater o crime, sua proximidade com a religião e seus amigos, e um Rei do Crime de respeito como vilão. [LM]

Mr. Robot

Sam Esmail, criador da série, buscou inspiração no noticiário para a primeira temporada de “Mr. Robot”. Deu certo. Apesar de ter alguns pontos baixos lá pelo meio, a série é bastante atual e crítica ao capitalismo, mostrando como a tecnologia pode ser usada para lutar contra a desigualdade social. Rami Malek, o protagonista Elliot, é especialmente bom no retrato de um hacker fora do clichê do gênio de óculos que digita números freneticamente em uma tela enquanto fala coisas que ninguém entende. É também uma série linda de ver, com seus enquadramentos inusitados e um retrato de uma Nova York longe do glamour. [FR]

Wet Hot American Summer

https://www.youtube.com/watch?v=j2Z4ew6x99w

Com um humor hiper nonsense, “Wet Hot American Summer” não é pra todo o mundo. O filme que deu origem à série, com atores perto dos 30 anos interpretando adolescentes num acampamento, já é assim: latas de vegetais conversam, cozinheiros têm taras por objetos, e nenhum (nem um!) ator se leva a sério. A série leva tudo isso ao extremo: agora na faixa dos 40 anos, os atores (como Bradley Cooper, Paul Rudd, Amy Poehler e Elizabeth Banks, consideravelmente mais famosos) interpretam os mesmos personagens ainda mais novos, no primeiro dia do acampamento. Nada faz sentido, mas é tudo incrivelmente engraçado. Mais engraçado até que o filme, que inaugurou todo um tipo de humor. Will Ferrell deve muito a “Wet Hot American Summer”. [FR]

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Cultura

Bem-vindos ao Risca Faca!

Chega mais. Hoje é um dia de festa pra gente, e queremos que seja para vocês também.

O Risca Faca é o novo site de cultura e comportamento da F451. A gente sabe que a internet é grande e já tem muita coisa rolando por aí, mas acreditamos que há espaço para certos conteúdos que sentimos falta em nosso cotidiano: jornalismo aprofundado, grandes histórias, personagens interessantes, análises incomuns. Sim, a internet é enorme, mas sempre há histórias incríveis que ainda não foram contadas.

Queremos fugir da cobertura que somente acompanha o ritmo das redes sociais. E queremos mostrar novas histórias, e novas formas de contá-las – pode ser em áudio, em quadrinhos, em vídeo. E ao mesmo tempo, como o nome sugere, não queremos ser sisudos nem cabeçudos – a gente curte um forró às 6h da manhã no Largo da Batata e isso também é uma forma de explicar o que queremos por aqui.

Para fazer isso, contamos com uma rede de colaboradores de várias partes do Brasil, de todos os tipos e estilos, que estão produzindo matérias e histórias que nos deixaram bastante orgulhosos. Leandro Demori, Peu Araújo, Taís Toti e Bolívar Torres são alguns dos jornalistas que você vai encontrar nos primeiros dias do Risca Faca. Assim como os fotógrafos Felipe Larozza e Lucas Lima, a artista Barbara Scarambone e o ilustrador Issao Nakabachi.

De cara, recomendo a leitura do nosso dossiê sobre a febre dos trenzinhos. O repórter Felipe Maia e o fotógrafo Felipe Larozza viajaram pelo interior de São Paulo para entender, e explicar, esse fenômeno que gera comoção entre as pessoas e, ao mesmo tempo, é pouco conhecido para muita gente. Na entrevista da Fernanda Reis, Lourenço Mutarelli conta como começou a acreditar em sereias. E também temos os conteúdos que já foram publicadas no Gizmodo Brasil, nosso site-irmão-mais-velho – recomendamos esta sobre nudez e o mergulho do repórter Marcelo Daniel pelo mundo de League of Legends.

Ficamos bem felizes também com o visual do site: imagens grandes, fonte boa para leitura e sem muita firula. Nessa seara, agradecemos bastante o trabalho da Datadot e da Haste, e também da Casa Rex, que assina nossa identidade visual – sem esquecer, claro, toda a equipe da F451.

Tem muita coisa boa na manga e esperamos que vocês aproveitem. O site ainda não tem comentários porque não encontramos a ferramenta ideal, e estamos esperando o surgimento de uma, tipo o Civil Comments. Enquanto isso, toda e qualquer sugestão, crítica, elogio, bate-papo, GIF animado, pode ser enviada pra mim: leo@riscafaca.com.br. Isso também se estende a ideias de pauta.

Sem mais blábláblá: seja bem-vindo! E não esqueça da canção popular: “foi no Risca Faca que eu te conheci”.

De bar em bar,
De mesa em mesa
Bebendo cachaça,
Tomando cerveja.

Foi assim, que eu,
Te conheci…

Olha que foi no Risca Faca,
Que eu te conheci
Dançando, enchendo a cara,
Fazendo farra,
Tô nem aí

Foi no risca faca,
Que eu te conheci
Dançando, enchendo a cara,
Fazendo farra, tô nem aí…